domingo, 17 de maio de 2009

Educação na cultura digital é tema de amplo debate

Professora titular de Tecnologia Educativa da Universidade de Barcelona expôs o dilema: como aprendizes da cultura analógica podem educar na cultura digital

O 16º Educador trouxe ao Brasil, pela primeira vez, a filósofa e pedagoga espanhola Cristina Alonso Cano para debater com o professorado brasileiro um tema que desafia agentes educacionais de todo o mundo: como aprendizes da cultura analógica, hoje educadores, podem educar as crianças da era digital.

Cristina, que é professora titular de Tecnologia Educativa da Faculdade de Pedagogia da Universidade de Barcelona, iniciou sua apresentação destacando as diferenças entre professores e alunos. “Quem ensina nos dias de hoje pertence a uma geração totalmente distinta da atual, com características que os distanciam, entre elas a capacidade de lidar com os meios tecnológico e de comunicação”.

Segundo ela, os professores pertencem à geração analógica, que descobriu a internet na já vida adulta. “Aprendemos a utilizamos a internet apenas para buscar informação enquanto os jovens interagem com ela, com grande capacidade e domínio da comunicação. Hoje qualquer adolescente tem um blog ou página em uma comunidade virtual”.

A pedagoga também destacou as diferentes capacidades de absorção de ambos. De acordo com Cristina, as pessoas educadas nas de 70 e 80 têm conexões cerebrais distintas das crianças nascidas a partir dos anos 90. “Os docentes tiveram como base uma cultura voltada à palavra e à reflexão enquanto que os alunos pertencem à cultura da imagem, muito mais sensorial e intuitiva”.

Impasse – O debate foi centralizado no seguinte dilema: como imigrantes digitais (professores) podem ensinar os nativos digitais (alunos).

Para a palestrante, o primeiro passo é reconhecer o problema. “O professor tem de assumir sua condição de imigrante digital e conhecer o mundo em que vivem seus alunos. Trata-se de uma responsabilidade ética. É preciso migrar da cultura letrada à mente digital e ir além. O docente precisa aprender a aprender para provocar o desejo nos nativos digitais de continuar aprendendo”.

Cristina também atribuiu os atuais conflitos entre professores e alunos à distância digital entre ambos. “O professorado precisa se aproximar do mundo dos alunos, conhecer suas múltiplas linguagens. Senão como formar leitores e amantes da escrita será possível?”, indagou.

Debate - A plateia colocou várias questões pertinentes ao foco central da palestra: refletir sobre como conhecer e aprender na sociedade a informação. Um dos aspectos apontados foi a grade curricular.

A pedagoga afirmou que professores da Espanha como do Brasil, exceto de alguns países como a Finlândia, têm de seguir modelos educacionais. “Isso realmente dificulta a introdução de novas linguagens tecnológicas nos processos educacionais. Mas os docentes precisam dar um passo à frente, introduzir inicialmente pequenas ações que possam aproximar a aula da linguagem da geração digital”.

Cristina Alonso Cano elogiou os temas e toda a estrutura do 16º Educar, além do nível das demandas. “O debate foi amplo e mostrou que os docentes têm as mesmas dificuldades e desafios”. Outro aspecto destacado pela palestrante espanhola foi o carisma e a receptividade do público brasileiro.

Michella Guijt – Mtb 27592

Do site Educar Educador

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